Resenha I

“Dificuldades, Riscos e Desafios do Século XXI”
(Daniele Blondel)

      O cenário do século XXI apresenta evoluções em grande escala que parecem irreversíveis, tais evoluções não são nefastas para a natureza, mas como dificuldades para as comunidades nacionais e internacionais, na medida em que não comportam um mecanismo de auto-regulação e parecem estar fora de controle de qualquer regulação institucional e política.
              Dificuldades contemporâneas com a evolução da economia e da sociedade mundial: a demografia; a interdependência planetária dos atores públicos; o progresso científico e tecnológico.
              Com o progresso da ciência médica permitiu diminuir a mortalidade infantil em todo o mundo, mas em contrapartida disparam a taxa de crescimento populacional nos países mais carentes, há uma pressão demográfica.
         Previsões demográficas realizadas para o inicio do século XXI, apresentam a tendência ao aumento da população com menos de 15 anos. (BLONDEL, p.14) “Entre 1990 e 2025, ela cresceria 26% em todo o mundo; 105% na África subsaariana”.
          O desequilíbrio é evidente nas duas extremidades: de um lado os países pobres com os problemas de alimentação, da educação e saúde desses jovens tornam-se cada vez mais insustentável, por outro lado os jovens dos países ricos sofrem com as novas tecnologias e o desemprego em massa.
     A interdependência vem do liberalismo e o neoliberalismo, quebrando fronteiras econômicas, políticas e financeiras com as seguintes características: interdependência de curto prazo; conjuntural; estratégias empresariais; das atividades científicas e tecnológicas; das escolhas ecológicas; das evoluções culturais e políticas.
     As interdependências têm duas faces: concorrências sem barreiras e rivalidade generalizada e; cooperação e compreensão mútua, do outro. Os indivíduos aproximam-se para o confronto e para a solidariedade.
        As conseqüências do progresso científico e tecnológico (BLONDEL, p.15): “o custo social que se identificou mais rapidamente, desde os anos 60, foi da destruição cada vez mais acelerada do ambiente natural (...) as indústrias baseadas nas ciências físicas, químicas e biológicas são produtoras de poluições, também destruidoras ou perturbadoras da natureza”.
         Na situação geral de crise do fim do século XX, há clivagem entre o Norte e o Sul tornou-se mais nítida do que nunca e mais complexa.
        O controle demográfico passa pela educação, (BLONDEL, p.16) “como parece mostrar o exemplo dos países do pacífico, é evidente que na África criou-se um círculo vicioso de empobrecimento que nenhuma das nações afetadas parece ter condições de quebrar”.
      A marginalização é maior com os avanços científicos-tecnológicos que com certeza aumenta o problema do dualismo cada vez mais nítido das sociedades e da comunidade internacional. A lógica da competição prevalece e predomina em quase todos os campos das atividades humanas, associadas à globalização.
       O desmoronamento dos estados-nações (BLONDEL, p.16): “Além disso, a pobreza cumulativa e o sentimento de ser vítima dos egoísmos exarcebados dos países industrializados; especuladores e corruptos, alimentam o desespero e a violência das populações mais pobres, põem em questão a própria idéia de democracia e fornecem uma clientela para correntes de pensamento diversas que sustentam o obscurantismo e a intolerância”.
           O risco de destruição do planeta assume várias faces: aplicação destrutiva das novas tecnologias, como as armas nucleares – aumentando o risco de uma guerra nuclear pelas grandes potências. (BLONDEL, p.17) “A ciência e a tecnologia da recuperação da natureza não avançaram no mesmo ritmo que a ciência e a tecnologia da produção de bens econômicos”.
          “Há o perigo de que essa globalização assuma a forma de uma dominação por parte das nações mais potentes. Devemos nos empenhar para que a ordem bipolar instituída após a 2ª Guerra Mundial seja substituída por uma ordem muito mais sutil, feita de cooperações múltiplas e de uma dinâmica de conflitos colaborações que respeite as riquezas no particularismo”. (BLONDEL, p.18)

Conclusão Pessoal

       As evoluções do século XXI segundo a autora não são nefastas a natureza, eu discordo porque são nefastas sim, a natureza foi dominada e está sendo destruída a cada instante em nome da tecnocracia, em nome do saber  científico e tecnológico causando destruição do nosso habitat natural, entendendo natureza como natura naturalis.
      Um outro momento do texto que autora diz assim: Os indivíduos aproximam-se para o confronto e para a solidariedade. Eu diria ao contrário: Os indivíduos aproximam-se para o confronto e para uma pseudo-solidariedade, porque há uma imposição de âmbito internacional de convergência e padronização de um “modelão irreversível” que denominamos globalização. Esta convergência são as evoluções econômicas, financeiras, que ditam assim: ou você está dentro deste “modelão” ou você está fora, você não tem escolha, já escolhemos para você, não se preocupe, ou melhor, não pense; o qual  a autora chama de interdependências.

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