Resenha II
“Educação do Futuro” (Moacir Gadotti)
“Pedagogia da Terra” – São Paulo –
2000.
Segundo Gadotti existe uma
possibilidade de estarmos entrando em uma nova era, a era do exterminismo. “Passamos
do modo de produção para o modo de destruição. A possibilidade da
autodestruição nunca mais desaparecerá da história da humanidade”. (p.31)
O capitalismo aumentou mais a
capacidade de destruição da humanidade do que o seu bem-estar e a sua
prosperidade. E isto é fruto de um modelo de desenvolvimento social e econômico
que visa apenas ao lucro imediato de uma minoria.
E o pior conforme afirma Castro: “inexistem hoje sinais de que um outro
sistema de organização da vida social tenha condições de ameaçar o vigente”.
(p.32)
A causa-consciência ecológica talvez
possa representar esse pontapé inicial de um novo projeto (paradigma) de sociedade, que indique a direção e
forneça a força necessária para a construção de um mundo menos feio, mais justo
e mais humano como nos dizia Paulo Freire.
A ecologia é um problema global,
planetário e de todos os cidadãos terrestres.
Vivemos numa época também da era da informação em tempo real, da
globalização da economia, da realidade virtual, da internet, da quebra de
fronteiras entre nações, do ensino a distância, dos escritórios virtuais, da
robótica e dos sistemas de produção automatizados, do entretenimento. Vivemos o
ciberespaço da formação continuada.
Algumas categorias para uma
perspectiva atual da educação:
1.
Planetaridade – A Terra
é um “novo paradigma”, tal tema é lembrado numa canção de Milton Nascimento: “Estrangeiro eu não vou ser. Cidadão do
mundo eu sou”.
2. Sustentabilidade –
origina-se na economia (desenvolvimento sustentável), sintetizando no lema “uma
educação sustentável para a sobrevivência do planeta”. Permeia todas as
instâncias da vida e da sociedade. Para além da sustentabilidade econômica,
podemos falar de uma sustentabilidade ambiental, social, política, educacional,
curricular, etc. O conceito é mais ético do que econômico.
3.
Virtualidade – com
base na era da informação. A
informação deixou de ser uma área ou especialidade para tornar-se uma dimensão
de tudo, transformando profundamente a maneira como a sociedade se organiza,
inclusive no seu modo de produção.
4. Globalização – O
global e o local se fundem numa nova realidade: “glocal”. Para pensarmos a
educação do futuro, precisamos refletir sobre o processo de globalização da
economia, da cultura e das comunicações.
5. Transdisciplinaridade – A rede
é uma força estabelecida na terra promovendo coerência global, sempre
recursiva, devolvendo um olhar novo e integral relacionado à emoção humana.
Esta corrente seria coerente com a geometria de estruturas magnméticas, faz a
terra viva e capaz de suportar a vida.
Mudar a maneira de pensar é
fundamental para a busca de uma visão mais global do mundo. A
transdisciplinaridade representa uma ruptura com o modo linear de ler o mundo,
uma forma de articulação dos saberes.
O paradigma da complexidade (Morin) surgiu como resposta aos
paradigmas clássicos (positivismo e marxismo), unificadores e homogeneizadores
do mundo. Interdisciplinaridade, transdisciplinaridade, complexidade,
planetaridade, sustentabilidade são categorias fundantes desse novo paradigma e
que remetem para outra lógica, para outra racionalidade, questionando tanto o
projeto epistemológico quanto o sentido da vida colocado pelos paradigmas
clássicos.
A vida cotidiana, a violência, a
sensibilidade, a subjetividade não são levadas em conta. Há muito de arbitrário
e cultural na escolha de conteúdos programáticos. A escola não deveria
preocupar-se fundamentalmente em formar pessoas para a paz e a felicidade em
vez de se preocupar apenas em formá-las para a competitividade? Uma educação
sustentável é oposto da educação para a competitividade.
À medida que nos entendermos
melhor, melhor entenderemos a natureza.
Segundo (Nóvoa, 1992, p.41) Todos
concordam hoje que a sociedade do conhecimento deverá muito a informação e os
profissionais e instituições a ela associados, incluindo a escola e o
professor. Só que, certamente, não será valorizada a escola e o professor da
era da industria. Na era da informação seu papel passará por profundas
mudanças. Não se pode mais preparar alunos e professores em série. “Já houve um
tempo sem escolas, e não sabemos se
este tempo regressará. Uma coisa é certa: tempos virão em que a sociedade
necessitará de outras escolas”.
“O futuro é possibilidade”,
insistia nosso mestre Paulo Freire. Ele
não pode ser previsto, mas pode ser inventado. A escola cidadã e a
ecopedagogia são um projeto histórico nascido da rica tradição latino-americana
da educação popular e apontam para um novo professor, um novo aluno, uma nova
escola, um novo sistema e um novo currículo.
Na era do conhecimento deverá
surgir também um novo aluno, sujeito da sua própria formação, autônomo,
motivado para aprender, disciplinado, organizado, mas cidadão do mundo,
solidário e, sobretudo, curioso: “A curiosidade como inquietação indagadora,
como inclinação ao desvelamento de algo, como pergunta verbalizada ou não, como
procura de esclarecimento, como sinal de atenção que sugere alerta faz parte
integrante do fenômeno vital”.
“Aprender é muito mais que
compreender e conceitualizar: é querer, compartilhar, dar sentido, interpretar,
expressar e viver”.
O currículo “é lugar, espaço,
território. O currículo é a relação do poder. O currículo é trajetória, viagem,
percurso. O currículo é a autobiografia, nossa vida, curriculum vitae: no currículo se forja nossa identidade. O
currículo é texto, discurso, documento. O currículo é documento de identidade”.
O futuro não é o aniquilamento do
passado, mas a sua superação.
Conclusão Pessoal.
Quando o autor afirma sobre a era
do exterminismo, da autodestruição, ou, impulso destrutivo, primitivo do ser
humano cresce, é o mesmo que Adorno já dizia sobre a barbárie, o qual ele diz
tem origem desde dos mitos para a transição para a filosofia, origem da
civilização ocidental, com a racionalidade instrumental.
Outro momento é quando o autor
afirma a inexistência de um sistema para contrapor-se com o sistema vigente,
mas é porque o sistema vigente engole qualquer possibilidade de sistema
alternativo.
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