Resenha III

“A Aceleração Contemporânea: Tempo-Mundo e Espaço Mundo” (Milton Santos)

         O conceito de aceleração assemelha-se a momentos culminantes da História abrigando forças concentradas, estourando e possibilitando o surgimento do novo.
        A aceleração contemporânea está relacionado à época de signos e ícones que vivemos. A imagem é tudo em nossa sociedade. Vendem e compram imagens a todo instante ao invés da autêntica realidade, que segundo Platão seria libertar-se da sua própria cegueira. Acelera-se o tempo no mundo, ou seja, esta aceleração impõe seu ritmo forte, opressor e dominante através de vários momentos históricos como a expansão demográfica, a exploração urbana e a explosão do consumo, o crescimento exagerado do número de objetos (produtos) e do arsenal de palavras.
      A relação tempo-mundo não é abstrata conforme um relógio mundial, fruto do progresso tecnológico.
      Os espaços se globalizam, mas quem se globaliza mesmo são as pessoas e os lugares.
      Atualizar-se é encontrar seu lócus (lugar) em atividades de produção e trocas de alto nível mundial.
      O espaço mundo é visto por dois conceitos: a tecnoesfera e a psicoesfera.
     A tecnoesfera é o resultado da crescente artificialização do meio ambiente, a esfera natural é substituída pela esfera técnica, ou seja, o domínio do homem sobre a natureza como escrevia em meandros da modernidade Francis Bacon, por isso tal afirmação é tão veraz atualmente, “saber é poder”, saber é dominar, manipular, destruir e tecnificar.
     A psicoesfera é o resultado das crenças, desejos, vontades e hábitos que inspiram comportamentos filosóficos e práticos, ou seja, as ideologias dominantes que controlam e manipulam as mentes, padronizando assim nossos comportamentos já dizia Adorno com o conceito de “Indústria Cultural”.
      Hoje nós chamamos tanto a tecnoesfera como a psicoesfera de meio técnico-científico, é lógico com uma tendência acentuada na psicoesfera do que na tecnoesfera.
    O secularismo conduziu a sociedade à necessidade cotidiana de medida de padronização, ordem e racionalização.
    A matematização do espaço cria uma facilidade para a matematização da realidade humana na sua vida social, conforme interesses econômicos hegemônicos.
   Segundo Milton Santos afirma que: (SANTOS, 1996, p.33) “Através do espaço, a mundialização, em sua forma perversa, empobrece e aleija”.
      Com a racionalidade instrumentalizada como dizia Marcuse, a tirania é mascarada por um pseudoconceito “o mercado”, o Estado assim é enfraquecido, minimizando as suas obrigações e funções, esta é a proposta do neoliberalismo.
    A fluidez e a competitividade são ícones e instrumentos da filosofia neoliberalista como Milton Santos afirma: (SANTOS, 1996, p.34) “A exigência de fluidez manda baixar fronteiras”. A fluidez é a condição, mas a ação hegemônica se baseia na competitividade.
    Segundo Milton Santos afirma: (SANTOS, 1996, p.35) “A competitividade é um outro nome para a guerra, uma guerra planetária, conduzida na prática pelas multinacionais (...) e com apoio, às vezes ostensivo, de intelectuais de dentro e de fora da Universidade”.
      A globalização é a aniquilação do próprio sujeito moderno. (SANTOS, 1996, p.36) “O que globaliza falsifica, corrompe, desequilibra, destrói. A dimensão mundial é o mercado”.
    O espaço tem uma característica dimensional nova, chamamos de tempo do cotidiano ou o cotidiano assim afirma Milton Santos (SANTOS, 1996, p.38): “O cotidiano é essa quinta dimensão do espaço e por isso deve ser objeto de interesse dos geógrafos, a quem cabe forjar os instrumentos correspondentes de análise”.
     O espaço não é materialidade, isto é uma necessidade concreta, (SANTOS, 1996, p.39) “mas como teatro obrigatório da ação, isto é, domínio da liberdade”.
             
Conclusão Pessoal

    A reflexão do geógrafo Milton Santos sobre a aceleração contemporânea o qual chamamos de globalização é importante nesta questão de que o espaço não é mais espaço, e que o tempo é encurtado cada vez mais e mais, acelerando as atividades humanas em ritmo frenético em forma de produção em série, o fordismo e o taylorismo.
      A própria matematização da realidade, de forma pitagórica, com a configuração da identidade com o número, ou seja, nós somos números nesta sociedade acelerada.
      Milton Santos percebe que esta aceleração ela aniquila o sujeito moderno, mas não aprofunda sobre tal questão talvez por não ter uma formação filosófica, por isso cito Theodor Adorno da escola de Frankfurt, um filósofo do inicio do século XX, pensador da Teoria Crítica conjuntamente com Horkheimer cujos pensadores criticam a técnica, pois ela está em prol da barbárie.
         Entretanto, esses mesmos pensadores cunharam um novo conceito de massificação que é a Indústria Cultural que antes era chamado Cultura de Massa. A indústria cultural planifica, massifica, padroniza mentes e gostos.  A cultura é bestializada em nome da tal globalização. A globalização pode ser irreversível, mas não podemos ser ingênuos a ponto de termos consciência que é assim, mas foi pensado, calculado e executado para ser assim, ou seja, para ser dito irreversível, mas esta irreversibilidade é uma mentira semeada em nossas mentes, para produzir a barbárie como Adorno antevia.
           Portanto, concordar com esta idéia é concordar com a barbárie.

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