Resenha VI


Discurso Inaugural de “Fernando de Azevedo”
Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais de São Paulo
Educação e Ciências Sociais

              No texto de Leandro Konder, História dos Intelectais nos Anos Cinqüenta, mapeia os anos 50 com diversos historiadores e suas tendências filosóficas político-sociais como, por exemplo: Historiadores & Conservadorismo, Historiadores & Nacional-Desenvolvimentismo, Historiadores & Marxismo.
              No Discurso Inaugural do CBPE – São Paulo, inaugurado no dia 11 de junho de 1956; Fernando Azevedo profere o discurso com um certo teor marxista em suas palavras direcionado ao governo brasileiro que estaria neste evento, juntamente na pessoa do atual Ministro da Educação Clóvis Salgado.
              Fernando inicia seu discurso em um tom suave, dando prosseguimento ele tece sua crítica ao governo brasileiro por ter uma monumental inauguração do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais de São Paulo, e ele afirma: “dentro das hierarquias dos problemas nacionais” (p.05) a criação do Centro torna-se não tão relevante assim, pois existem problemas no País de alçadas mais problemáticas e de caráter urgente, como ele mesmo afirma: “o País sofre as conseqüências terríveis (...) com as finanças do País, sendo que o maior capital da nação é (...) as crianças e os adolescentes, gerações sucessivas de jovens”.(p.08) Com isto marca a promoção de uma transição política empírica de educação para uma política cientifica, realista e racional.
              Em outra passagem, Fernando Azevedo afirma a sua crítica dizendo que é evidente os problemas de analfabetismo no país, por isso como afirmava Euclides da Cunha: “o dilema (...) , reduz-se, afinal, a uma fórmula mais precisa: (...) estão condenados a acertar” (pg.08)...
              Eis a crítica de Fernando, Porque investir tanto capital da nação nos centros que não se subtrai, mas se acrescenta? 
              Mas, no presente momento, a nação tem urgência no índice altíssimo de analfabetismo, que são estatisticamente estas: de Oito (8) milhões de crianças de idade escolar e somente Quatro (4) milhões estavam na rede pública e 700 mil alcançam o terceiro e quarto ano, isso prova o que precisaria ser investido na educação primária, no entanto, investimos grandes obras como tal prédio em São Paulo (CBPE), que tem 200 metros de comprimento e 30 de largura, uma suntuosidade; sendo que o essencial era o investimento na extensão progressiva da rede escolar.
              Localizando este discurso de Fernando de Azevedo na década de 50, Leandro Konder afirma:

A década de 50 foi marcada por apaixonados debates a respeito da opção entre a abertura para um mercado mundial hegemonizado por forças estranhas aos interesses nacionais brasileiros ou a proteção das riquezas e da economia do Brasil contra a cobiça imperialista. [1]

              A riqueza desta década está nos vários intelectuais com suas tendências filosóficas político-sociais, o qual Fernando Azevedo está inserido também como nacional-desenvolvimentista, pensando um Brasil que cresce e tem bases sólidas na Educação Primária.
              Fernando Azevedo cita o idealizador do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais de São Paulo afirmando que:

              Observa-me um dia que Anísio Teixeira diz que os países ricos poderiam dar-se ao luxo de iniciativas sem base segura e sem diretrizes racionais, a larguezas e prodigalidades em experiências ou em tentativas e realizações incompletamente fundadas na observação dos fatos.[2]             

              Por quê?
              Porque os países ricos têm muito capital para mesmo que sejam inviáveis alguns projetos, nossas autoridades políticas saberiam exatamente onde investiremos o pouco capital que temos, pois é pouco.
              Em seu discurso, ainda diz num tom mais suave, pois já está no término dele, as ciências educacionais teria que ter colaboração íntima das ciências sociais é lógico que Fernando de Azevedo, está ligando a sua área de pesquisa que é a Sociologia. Ele afirma assim:

A palavra “Educação” significa ação ou processo de educar ou de ser educado e a sociedade, no complexo da vida e das instituições sociais.[3]


              Eis a importância íntima entre educação e ciências sociais para Fernando em seu Discurso, ou seja, não é somente pensar em formar jovens técnicos-profissionais, mas lembrar-se das áreas de humanas, sociais.
              Portanto, Fernando vai encerrando seu discurso na presença do Ministro da Educação, fundamentando em Romain Rolland que diz: “Não basta que ela exista para que os homens a vejam. È necessário que ela tenha vida”.(pg.11) Ela quem? A instituição seja antes de tudo humana, por isso, ele abranda suas palavras com votos de prosperidade e que semeiem e colham frutos desta política educacional cientifica. Fernando de maneira geral, preocupa-se com o desenvolvimento de seu País em sua caótica problemática educacional, um intelectual inserido na sua época com intuito de alertar as autoridades políticas com o uso ético-financeiro do país em relação a educação primária, combatendo os altos índices de analfabetismo.
               
Bibliografia:

AZEVEDO, Fernando. Discurso Inaugural de Fernando de Azevedo – Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais de São Paulo – Educação e Ciências Sociais.

KONDER, Leandro. Historiografia brasileira em perspectiva (Marcos Cezar de Freitas – Org.) - História dos Intelectuais nos Anos Cinqüenta.  São Paulo: Contexto, 1998.


[1] KONDER, Leandro. Historiografia brasileira em perspectiva (Marcos Cezar de Freitas – Org.) - História dos Intelectuais nos Anos Cinqüenta.  São Paulo: Contexto, 1998, pg. 365.
[2] AZEVEDO, Fernando. Discurso Inaugural de Fernando de Azevedo – Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais de São Paulo – Educação e Ciências Sociais. Pg. 08.
[3] Ibidem, pg 10.

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