terça-feira, 6 de setembro de 2016

Escola do Futuro

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Escola do futuro será uma escola sem professores reais.
Escola baseada todo no conhecimento internético prenunciado pelo filósofo virtual do século XXI, Mr. Google.
Alunos aprendentes e alunos professores. Todos aprendem, Todos ensinam simultaneamente interligados pela rede da internet.
Princípios serão as perguntas surgidas no momento, sobretudo, perguntas filosóficas existenciais. Tais princípios tem como base uma superfície variante e instável.
Estávamos numa Modernidade Líquida, agora, estamos numa Contemporaneidade à vapor, que não mais deságua no oceano, mais que se evapora no ar da velocidade anos luz das ideias e conhecimentos universais da humanidade. Todos terão acesso ao conhecimento universal, mas pouquíssimos saberão manuseá-los tais conhecimentos, porque praticamente toda humanidade estará no pensamento automático, não se desligam, somente trabalham para sobreviver, não param nunca. Escravos de si, de pensamentos automáticos e automatizados.
Como navegar neste oceano de conhecimentos ilimitados da humanidade?
Teremos professores, mestres, talvez pouquíssimos doutores, isolados ensinando a tradição dos traços culturais da humanidade em meio a realidades caóticas.
Não existirá sociedades mais, mas apenas bandos, grupos isolados de sobreviventes do mundo pérfido.
A aprendizagem se dará nos fragmentos do que sobrou dos pensadores do século XX e XXI.
Este Futuro incerto e inglório está por vir, e quem sobreviverá? Quem?
Aqueles que pertencerem a comunidade da Bolha Saudável. Aqueles que se protegem como podem da carnificina da ignorância alheia. 
Somos vigiados a todo instante. A caça virou o caçador. O Feitiço virou contra o feiticeiro.
Quem saber de alguma coisa, estará correndo sérios riscos de vida. Quem souber mais, será perseguido e até morto. Sobreviver é o lema de cada dia, até esta névoa espessa, escura passar e brilhar um novo céu, e uma nova terra.
A ignorância prevalecerá na terra dos sem educação.
O Conhecimento é ouro. Tábua de salvação de cada ser humano que ainda caminha em frente e não recua. Sempre avante, destemido, com o coração na mão com a espada da verdade, e a luz da sabedoria nos olhos.
Quem suportará o peso da verdade?
Quem ficará ainda de pé, após as trevas da ignorância?
Quem continuará a lutar pelos desvalidos?
Quem morrerá pelos que padecem, sem nada a temer?
Quem sustentará sua vida no conhecimento ilimitado e infinito?
Quem manterá sua palavra até o fim?
Quem? Quem? Quem?
A escola do futuro será a chama que ainda fumega num coração esperançoso e otimista, mesmo não vislumbrando nada a sua frente. Segue por meio dos olhos do coração e da fé em dias melhores.
A escola do futuro mantém a tradição da pedagogia da presença. Sim, é preciso estar presente na sua integralidade, mesmo sendo desintegralizado pelo sistema todos os dias, minando nossas forças viscerais.
Sim, seja aluno, seja professor, autoridade dada é aquela autoridade conquistada.
A escola do futuro representa o amanhecer da humanidade, ao deliciar o conhecimento como sustentação histórica, filosófica do novo amanhã, de um novo conceito de SER e ESTAR frente as situações limites que a vida nos impor enquanto animais racionais que somos.
A escola do futuro não terá nações, países, línguas e idiomas, não terá fronteiras, religiões, políticas e normas diversas, simplesmente terá uma única direção a salvação da espécie humana.
Novos Horizontes surgirão quebrando com a verticalidade das hierarquias. No Horizonte enxergo amplamente, sem preconceitos, sem demagogias, sem mentiras ofuscadas pela verdade da artificialidade, sem rodeios, sem pseudo tecnologias. 
A Natureza vencerá, seja ela animalesca ou complexamente, humana.
Você será seu próprio Mestre, se ainda tiver consciência de si.

Prof. Ms SAM 

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Para que serve a Filosofia?

  


   Serve para nada. Serve para tudo. Serve para o mundo das possibilidades. Serve para o universo das certezas na galáxia das incertezas. Serve para buscar a verdade nas imediações das mentiras. Serve para mergulhar no abismo escuro da humanidade com a lâmpada do juízo, do intelecto para decifrar as angústias existenciais, sem medo, sem culpa, sem dúvidas, sem compaixão.
    Serve para cruzar as fronteiras da loucura e da sanidade. Serve para dialogar com pensadores anacrônicos que iluminam nossos primeiros passos no itinerário intrigante e encantador da filosofia.
   Serve para questionar a realidade, até que ponto a realidade não é uma matrix ilusória? Enfim, até que ponto a realidade não é um puro simulacro? Serve para questionar o Tudo e o Nada, sendo que o ponto intermediário entre o Tudo e o Nada é o próprio Homem, como medida de todas as coisas, como diria Protágoras.
    Serve para perguntar: Quem Sou Eu? Quem é você? Quem somos nós? Serve para responder o que dizem que não tem resposta. Serve para criticar, posicionar ideias que surgem timidamente no acaso e que na aurora do amanhecer do conhecimento tornam-se verdadeiras estruturas do pensamento, um emaranhado do pensamento crítico, uma autêntica teia do saber. Serve para desenhar o mundo na diversidade das cores do desconhecido, do metafísico, do ontológico, do antropomórfico, do mitológico, da irracionalidade instrumental da razão.
    Serve para pensar o impensável, dizer o indizível, fazer o que não ousaram fazer, enfim, possibilitar o universo do impossível nos moldes da racionalidade finita, quebrada, sobretudo, salvadora da própria razão doente.
    Serve para acreditar no inacreditável, existir no inextinguível, mudar o imutável, entre outros. Serve para viver uma vida plena de sentido e significado com possibilidades variadas e múltiplas. Serve para o que você quiser, basta estar aberto e disposto para viajar numa viagem sem fim.

         E ainda perguntam: Para que Serve a Filosofia?

terça-feira, 24 de maio de 2016

Porque estudar FILOSOFIA?

   Ao pensarmos nesta pergunta simples e até então fácil de ser respondida, porque não pensar, primeiramente, na pergunta Porque estudar?
   Se nós tivermos a condição cine qua non constante de estudar.
   É como perguntássemos: De onde vem o mundo?
   Segundo o Romance chamado Mundo de Sofia do autor Jostein Gaarder afirma assim através da personagem curiosa Sofia:

     Naturalmente se poderia pensar que o universo era uma coisa que sempre existiu. Mas será que alguma coisa podia ser eterna? Portanto, em algum momento o universo também tinha de ter surgido a partir de uma outra coisa. (GAARDER, Jostein. O Mundo de Sofia. p.19) 

   Parafraseando o autor, quando a personagem Sofia recebe a sua 2ª pergunta através das cartas pelo correio. Quem é você? Eis a pergunta que nos inquieta e sempre nos inquietará em nossa pobre existência, cuja pergunta é semelhante a pergunta: Porque estudar? e Porque estudar Filosofia?
   Se eu invertesse as perguntas, como: De onde vem o estudo? Quem é o mundo? Porque estudar você? e/ou Porque estudar Filosofia?
   Perceba que a última pergunta permanece. Simplesmente por que o natural dentro da Filosofia é questionar não importa o que, por isso, sempre retornamos ao Eterno Retorno (máxima filosófica de Nietzsche) para o ponto de origem da eterna pergunta Porque estudar?
   A semelhança entre as perguntas não significa que são iguais. As perguntas são entrecruzamentos indagantes de possíveis pontos do conhecimento universal e metafísico da humanidade. As perguntas são conexões, ligações que fornecem dados transitórios que perambulam no universo das palavras sedentas do saber no formato de redes do saber. As perguntas movem o mundo.
   A personagem Sofia estudava através daquelas perguntas intrigantes de um desconhecido tão misterioso quanto o caminho da própria filosofia. A História da Filosofia manifestou-se diante de seus olhos, como um truque, como num passe de mágica, que aparece e se esconde. Como dizia Martin Heidegger, o SER ontológico revela-se e desvela-se como uma lanterna no meio da escuridão da floresta do desconhecido.
   Quando a personagem Sofia se depara com a pergunta: De onde vem o mundo? Ela mergulha e questiona, primeiramente, De onde vem o meu mundo? Para depois questionar, De onde vem o mundo exterior? O seu mundo é questionável? Talvez sim, Talvez não. Depende do grau do estudo sobre você. 
   Qual é o meu mundo? Eu tenho um mundo? O que vem a ser mundo?
   Palavras, Palavras e mais Palavras, parecem jogadas ao léu. Mas Nem tudo que parece, é. Nem tudo que é, parece.
   Estudar Filosofia é como se eu gostasse de perguntar várias vezes a mesma coisa, porque quando começo a ter uma resposta plausível das perguntas, quando investigo novamente  e lanço a mesma pergunta, parece que aquela resposta se desmorona como um castelo de areia. É sempre um eterno começar, ou, recomeçar.
   Bom, quantas vezes eu for recomeçando nesta mesma pergunta: Porque estudar Filosofia? Mais eu aprofundo o que não é a filosofia, sobretudo, porque  o que é a Filosofia, está nas marcas das respostas plausíveis dadas e desconstruída pelas mesmas perguntas.
   Portanto, perguntar porque estudar? e Porque estudar a Filosofia? É se jogar no abismo do desconhecido tendo como apoio a próxima pergunta potencializante que é e não é a própria Filosofia. Se jogue no estudo, te convido a se jogar no Mundo da Filo-Sofia, no Mundo da amizade ao Saber perene, no Mundo das perguntas relevantes e essenciais, quanto das perguntas irrelevantes e superficiais, no Mundo das possibilidades  do conhecimento que se dá a se conhecer (Dasein). Se jogue no universo do conhecido e venha conhecer o mundo sem se esquecer de si no eterno existir.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

“B E R Z I T A”



“B E R Z I T A”

B O N D A D E
E L E G Â N C I A
R A R I D A D E
Z E L O S A
I N T E L I G Ê N C I A
T O L E R Â N C I A
A M O R

            Quero descrever neste pobre papel algumas virtudes da minha amada mamãe, Berzita, nome belo e único.
            Minha Mãe foi, é e será um presente de Deus para todos nós, uma rosinha delicada, linda e perfumada por onde passou, no seu jeito simples e alegre de viver a vida, vivia com muito amor por todos, principalmente, para sua família. Em relação a família, defendia como uma leoa seus filhos, foi carinhosa e esposa dedicada ao seu marido.
            Minha Mãe foi, é e será uma mulher Bondosa. Seu coração era e é pura bondade para com todas suas ações sempre estavam pautados pela bondade, procurava enxergar nas piores situações a bondade das pessoas, enxergar o lado bom das pessoas e exaltar este lado bom para que as pessoas percebam a centelha divina nestas pessoas.
            Minha Mãe foi, é e será uma mulher Elegante. Elegância não somente na beleza exterior, mas na postura de ser, de falar, de ser mulher. Mulher elegante está difícil de encontrar nos tempos de hoje, por isso, posso afirmar que a minha mãe era uma mulher Rara, por que foi, é e será puro amor, carinhosa e meiga. A alegria era, é e será sempre a sua causa de vida. Era uma mulher rara, porque amava ter e cuidar de sua família, não se descuidava um minuto sequer.
             Minha Mãe foi, é e será uma mulher Zelosa, cuidava da sua casa com muito carinho, assim como cuidava da sua família, cuidava das coisas de Deus com muito zelo sempre com sorriso no rosto e grata por estar servindo à Deus. Zelosa no cuidar, no falar e no agir.
         Minha Mãe foi, é e será uma mulher Inteligente. Sua inteligência lembra a inteligência do silêncio de Maria Santíssima. Sim, o silêncio de Maria aos pés da Cruz de Jesus Cristo, Nosso Senhor. Quantas vezes eu presenciei os sofrimentos da minha mãe terrena, desde as suas enfermidades até as confusões familiares que ela suportou, aguentou firme muitas coisas, sem levantar a voz. O silêncio no sofrimento era sua inteligência.
            Minha Mãe foi, é e será uma mulher muito Tolerante. Tolerante no sentido de saber suportar as dores emocionais que rasgavam seu coração, provenientes de seus familiares. Tolerava pacientemente a agressividade vinda de todos os lados.
            Minha Mãe foi, é e será sempre uma mulher Amorosa. Aliás, todas estas virtudes dela, a que sobressaía com certeza era a virtude do puro amor. Pensar na minha mãe é pensar nela sempre alegre e feliz. O Amor vivia em seu coração e transbordava seu ser de alegria por estar na presença de Deus.
            Obrigado, Senhor, pela vida da minha amada mamãe!
            Jesus eu confio em vós!

            Jesus, Maria e José, a nossa família vossa é!

domingo, 27 de dezembro de 2015

“Orientar-se, Esclarecer-se, Dizer a verdade no pensamento Kantiano na atualidade”




Resumo: Na contemporaneidade, é preciso seguirmos os passos de Kant que afirma que devemos orientar-se no pensamento para centrar-e no princípio da subjetividade da razão, ou seja, é ter capacidade de diferenciação, portanto, esclarecer-se é a saída do homem de sua menoridade, do qual ele é culpado e dizer a verdade é um dever que trará sentido de vida baseado na racionalidade razoável.

            Immanuel Kant elaborou uma linha filosófica, a filosofia transcendental, que trata sobre a razão humana dentro das possibilidades dos limites da razão, uma delas constituiu o pilar principal de seu pensamento, a partir do qual nascerá a filosofia transcendental. Tal obra chama-se Crítica da Razão Pura. Logo após terminar sua obra principal, Kant publicou “Fundamentação Metafísica dos Costumes e Outros Escritos” e, com base na segunda parte desta obra, “Outros Escritos”, podemos refletir, em nossos tempos atuais, uma problemática de como orientar-se, esclarecer-se e dizer a verdade.
            Hoje em dia, o que falta para nós seres humanos para entendermos o sentido da vida? Parece-me uma questão utópica, mas se deparamos com a realidade atual, o que o mundo exige de nós a busca de um sentido, ou, vários sentidos, mas o que importa é que tal sentido está ligado intrinsecamente com a felicidade, pois é através da busca de algo que Aristóteles já nos assinalava assim: “a vida sem uma busca não é digna de ser vivida.”
            Que significa orientar-se no pensamento?
            Kant, em sua época, já questionava-se sobre tais problemas, de maneira subjetiva transcendental do pensamento: “Que significa orientar-se no pensamento? [Was heisst: sich im denken orientieren?] [...] Resposta à pergunta: Que é Esclarecimento?[Beantwortung der frage: Was ist Aufklãrung?]”, cuja resposta estaria na própria afirmação de Kant: “é um dever dizer a verdade.”
            Orientar-se é preciso e necessário para se ter noção de realidade. Kant utiliza-se dos últimos escritos de Mendelsson, onde se diz que há “necessidade de se orientar [...], no uso especulativo da razão [...] por certo meio de direção que ele ora denominava bom senso (nas Morgenstunden), ora sã razão, ora simples entendimento humano (em aos Amigos de Lessing).” Kant apóia-se inicialmente no pensamento de Mendelsson com o bom-senso, que também é cartesiano, que significa orientar-se, ter um método ou sã razão.
            É importante salientarmos o significado autêntico do termo orientar-se, conforme Kant dizia: “Se vejo o sol no céu e sei que agora é meio dia, saberei encontrar o sul, o oeste, o norte, e o leste [...] oriento-me geograficamente mesmo tendo em vista todos os dados objetivos do céu, tão somente por um princípio subjetivo de diferenciação [...] a capacidade de diferenciação, que lhe é muito natural, a qual ele possui por natureza e se torna habitual com o freqüente exercício, pelo sentimento da direita e da esquerda.”
            Exemplificando a denominação de “orientar-se”: se alguém perde a visão e fica cego, mas com o tempo ele se adapta a sua nova situação, privada de visão, tanto se adapta que sabe exatamente onde está cada objeto em sua casa. É claro, que além do tato constantemente mais exigido, ele se orienta através da sua capacidade de diferenciar subjetivamente, pelos lados direito e esquerdo.
       Portanto, não nos orientamos somente no espaço, matematicamente, mas também no pensamento, logicamente.
            “Orientar-se no pensamento em geral significa, portanto: dada a insuficiência dos princípios objetivos da razão, determinar-se na admissão da verdade seguro um princípio subjetivo da razão.”
            A possibilidade de a razão orientar no pensamento é pura necessidade própria, só o fato de ser possível pensar muitas coisas supra-sensíveis e de admitir sua Existência. Existência de quê?  
            “Sem a admissão de um criador inteligente é impossível conceder qualquer princípio inteligente a essas coisas sem resvalar em absurdos; e embora não possamos demonstrar a impossibilidade de tal finalidade sem uma causa primordial inteligente [...] devemos admitir a Existência de Deus se quisermos julgar as causas primeiras de tudo o que é contingente.”
            Admitindo a Existência de Deus, postulando a razão por uma pura fé racional que é “o guia ou a bússola em virtude da qual o pensador especulativo se orienta em suas incursões racionais no âmbito dos objetivos supra-sensíveis, podendo indicar [...] ao homem de razão comum, porém, (moralmente) sadia o seu caminho inteiramente adequado tanto do ponto de vista teórico quanto do prático, [...] e essa fé racional é também o que deve ser posto como princípio de qualquer outra crença, e mesmo toda revelação.”
            Kant louva os homens de capacidade espiritual e visão ampla, questionando o sentimento humano sem a razão, enfim, àqueles que atacam a razão, querem que a liberdade de pensar seja mantida intacta, mas, sem ela, terá fim a liberdade de pensar, mas o que é esta liberdade de pensamento?
            “A liberdade de pensamento significa que a razão não se submete a nenhuma outra lei senão àquela que dá a si própria.”
            Para orientar-se implicam tal liberdade de pensamento, que está intrínseca a si mesma, no pensamento, no método transcendental, a priori, com as formas lógicas kantianas, as categorias do entendimento para justamente centrar-se em si na razão, em caráter significativo. Kant “admiti aquilo que depois de cuidadoso e honesto exame vos pareça mais digno de fé, sejam eles fatos, sejam eles princípios da razão. Só não contesteis à razão aquilo que faz dela o supremo bem sobre a Terra, a saber, o privilégio de ser a definitiva pedra de toque da verdade.”
            Por isso, o pensar por si mesmo (orientar-se) significa procurar em si a suma pedra de toque da verdade; a máxima que manda pensar sempre por si mesmo é o esclarecimento [Aufklarung], deparamos então à segunda questão: “Que é Esclarecimento? [Was ist Aufklarung?]
            Resposta à pergunta: Que é Esclarecimento? (Aufklarung)
            “Esclarecimento [Aufklarung] significa a saída do homem de sua menoridade, da qual o culpado é ele próprio. A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo [...] a preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma grande parte dos homens [...] continuem, não obstante, de bom grado menores durante toda a vida [...] é tão cômodo ser menor! Se tenho um livro que faz as vezes de meu entendimento, um diretor espiritual que por mim tem consciência, um médico que decide por mim a respeito de minha dieta, etc., então não preciso esforçar-me eu mesmo.”
            E não é isso exatamente que acontece em nossos dias. Quantas pessoas menores, cômodas em nossos tempos atuais, existem por aí. Aliás, vejo que só tem aumentado pessoas que vivem neste estado de letargia da liberdade do pensamento, são pessoas que tem preguiça e covardia de pensar, deixa que sejam pensados, são manipulados e alienados pelas influências ideológicas existentes na sociedade.
            Em nossa sociedade contemporânea, vemos com grande clareza a questão que Kant anunciava em sua época. Esclarecer-se é essencial para estar diante da verdade, buscar e procurar a verdade, pois esclarecer implica em querer estar na verdade, e não qualquer verdade, mas uma verdade fundamentada na razão. O que falam, dizem, escrevem, pregam, mandam sempre em nome da verdade, da liberdade. Será?
            Kant já duvidava disso em sua época: “Ouço agora, porém, exclamações de todos os lados: ‘não raciocineis!’ O oficial diz: não raciocineis, mas exercitai-vos. O financista exclama: ‘não raciocineis, mas pagai!’ O sacerdote proclama: ‘não raciocineis, mas acreditai!’ (Um único senhor no mundo diz: ‘raciocinai, tanto quanto quiserdes, e sobre o que quiserdes, mas obedecei!). Eis aqui por toda parte a limitação da liberdade – mas que limitação impede o esclarecimento [Aufklarung]? Qual não o impede, e mesmo o favorece? Respondo: o uso público de sua razão deve ser sempre livre e só ele pode realizar o esclarecimento [Aufklarung] entre os homens.”
            Temos como exemplo clássico, em nossa sociedade, o sacerdote, figura eclesiástica, que em nome da Igreja professa defender a doutrina, e tal apologia atualmente é acrítica, ou melhor, sem posicionamento, o qual pode tornar-se numa fé cega, sem nenhum fundamento racional. Ao passo que, a fé esclarecida é fruto de uma razão lúcida e fundamentada na doutrina. Kant nos mostra que, neste caso religioso, existem dois tipos de sacerdotes: um deles são os dogmáticos, são apenas funcionalistas, cumprem com sua função dentro da hierarquia da Igreja, não estudam a doutrina e não colocam em prática, só cumprem com o básico, ministrar os sacramentos;  o outro em extinção são os sábios, pois tem um posicionamento diante da postura daqueles que são apenas funcionalistas, conseguem assim reconduzir e atualizar a própria doutrina sem perder a sua essência, que é Jesus Cristo (Cristocentrismo), essência do Cristianismo, contextualizando com a época em que vivemos, enfim, existe um diálogo com a modernidade, com o mundo.
            Sobre isto Kant diz assim:
            “[...] o sacerdote está obrigado a fazer seu sermão aos discípulos do catecismo ou à comunidade, de conformidade com o credo da Igreja a que serve, pois foi admitido como essa condição. Mas, como sábio, tem completa liberdade, e até mesmo o dever, de dar a conhecer ao público todas as suas idéias, cautelosamente examinadas e bem intencionadas, sobre o que há de errôneo naquele credo, expondo suas propostas visando à melhor instituição da essência da religião e da Igreja [...] enquanto padre, não é livre nem tem direito a sê-lo porque executa uma incumbência estranha. Já na condição de sábio, ao contrário, que com suas obras fala ao verdadeiro público, isto é, o mundo, o sacerdote, no uso público de sua razão, goza de irrestrita liberdade para fazer uso de sua própria razão e de falar em seu próprio nome.”
            Então, se fizermos a pergunta, que Kant elaborou depois de suas reflexões.
            “Vivemos hoje uma época esclarecida [Aufgeklarten]?” A resposta será: “Não, vivemos em uma época se esclarecimento [Aufklãrung]. Ainda falta muito para que os homens, nas atuais condições, tomadas em conjunto, encontrem-se já em uma situação, ou que nela possam ser inseridos, cuja matéria religiosa seja capaz de fazer uso seguro e bom de seu próprio entendimento sem que sejam dirigidos por outrem. Claros indícios temos somente de agora lhes foi aberto o campo em que poderia lançar-se livremente a trabalhar e reduzir progressivamente os obstáculos ao esclarecimento [Aufklãrung] geral ou a saída dos homens de sua menoridade, da qual são culpados.
            Será que estamos numa época esclarecida ou em esclarecimento?
            Sem dúvida nenhuma, uma época de esclarecimento, pois, o homem é de natureza complexa e misteriosa, ou seja, tem muita coisa a ser esclarecida. O homem é o co-criador com seu trabalho de suas próprias mãos, tanto pode construir como destruir, fazer ou desfazer, libertar ou dominar, e o principal é sua capacidade de pensar.
            “É um dever dizer a verdade [...] um dever é aquilo que corresponde em um ser aos direitos do outro [...] dizer a verdade é um dever, mas somente para com aquele que tem direito à verdade.”
            A verdade é algo posto, é um ideal criado para todos nós seres humanos buscarmos, porém, ela não longe de nós, mas sim tão próxima quanto imaginamos, ela está dentro de nós. No entanto, a sociedade mascara a verdade com várias mentiras. A verdade vem de ver, mas ver o que? Ver a luz, aquilo que ilumina, clareia quando há escuridão, e a luz é a sabedoria, e a escuridão é a ignorância, e como chegamos a esta luz? Através daquilo que mais temos como essencial, nossa razão, o pensar, o refletir, assim como Kant nos alerta com o objetivo justamente para despertar do sono dogmático, ao passo que, a sociedade prega o não pensar.
          Despertemos deste sono dogmático e plantemos a seriedade, a responsabilidade, o fundamento no pensar, no escrever e dizer, enfim, a coerência de vida e de pensamento.
         Portanto, Kant nos assinala como devemos orientar não só o nosso pensamento,  mas a nossa vida, esclarecer não só o pensamento cético, mas os nossos problemas ou confusões, que diante de tudo isto, o essencial é dizer a verdade, para se comprometer com a sociedade, com a humanidade, com os outros que acreditam numa sociedade mais justa e digna de ser vivida.

Prof. Ms. Sérgio Augusto Moreira


Bibliografia:

Revista Semestral do Curso de Filosofia. CADERNOS DE FILOSOFIA, ANO X - nº 02, CAF - UNISAL-Lorena-SP-Novembro, 2003.

KANT, Immanuel. Fundamentação da Metafísica dos Costumes e Outros Escritos. Tradução Leopoldo Holzbach, Editora Martin Claret, São Paulo, 2003.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Education

Education: Is it only way for our country?
 
            O que pensar quando destroem sorrateiramente a última tábua de salvação para o nosso país: Brasil? Education.
            Você é educado para quê?
            Para mandar ou obedecer, para surrupiar ou roubar, para se corromper ou para se vender, para matar ou promover a vida, para calar-se ou gritar nas ruas o sofrimento do povo brasileiro com esta podridão toda no Congresso em Brasília (não só o povo brasileiro, mas todo povo sofredor).
            Para que você é educado? O que é ser educado no mundo de hoje neste processo civilizatório imposto pela cultura ocidental da razão esclarecida?
            Ser educado, hoje em dia, é ser um bom cidadão? Ser educado é ser um homem civilizado? O que entendemos por civilizado? Somos Educados ou Adestrados?
            Quando penso em educação, penso nos fundamentos de uma boa vida para qualquer ser humano, de qualquer país, de qualquer época como: a Liberdade e a autonomia do sujeito. Liberdade é consequência da prática constante do livre pensar com responsabilidade. “Sou livre quando respondo por meus atos” (Santo Agostinho) Isto gera a autonomia do sujeito. Liberdade requer responsabilidade que gera autonomia no sujeito que busca a verdade e a liberdade de expressão.
            Não sou pensado por nenhum ser humano e sim por Deus, sou fruto do exercício constante do uso consciente e responsável que faço das minhas decisões e atitudes, do meu próprio pensar, portanto, do meu próprio existir cartesianamente falando. Sou dono de mim mesmo, minha autonomia é constructo do meu esforço intelectual de me situar e colocar as minhas próprias regras para bem viver neste mundo caótico. Não sou adestrado, e nem alienado o suficiente para fingir o que sei sobre o que vejo e penso. Sei exatamente para onde vou e quero ir, é para isto que fui educado, dentro das minhas vivências, das minhas escolhas, eu me construi com a ajuda de Deus Pai criador de tudo o que há, o que foi e o que será.
            Minhas falhas são minhas, mais de ninguém, por isso, chamo autonomia, o mundo do Sérgio, eu criei minhas próprias regras, não tirei do nada, mas essencialmente do que li, estudei e acredito. Pode parecer egocêntrico da minha parte, mas não é, Sou fruto do que fiz ou não fiz, do que pensei ou não pensei, do que comi ou não comi, do que falei ou não falei. Sou rastro de mim mesmo, tanto faz se for rastro bom ou ruim, Sou rastro que deixa marcas em mim mesmo, e também na vida dos outros.
      Ser educado é deixar ser impactado, afetado pelas influências sócio-ambientais e economicamente falando. Contudo, este impacto é amenizado com os arcabouços históricos das nossas vivências, quanto mais Empiria mais Ratio melhor.
            O processo civilizatório se desdobra numa dialética entre o viver (existir) e o vir a ser (futuro) tendo como síntese as suas vivências. Neste entrelaçamento do ser e do vir a ser transforma o sujeito histórico em cidadão oscilante na teia do real que balança com os ventos do social econômico. O cidadão no viés dos direitos somente com o bolso cheio terá maior probabilidade de ter seus direitos assegurados e seus deveres são pagos para outrem cumprir em seu lugar, ao passo que, o cidadão no viés dos deveres somente com o bolso vazio não terá seus direitos assegurados, contudo, terá mais deveres a cumprir para sanar a falta de dinheiro constante. Eis a dialética do cidadão socioeconômico.
         O homem civilizado é sinônimo de ignorância podre dos capitais (bens acumulados), entretanto, o homem educado é sinônimo de luta do sujeito quebrado que constrói uma identidade com base nos princípios da liberdade, da responsabilidade e do altruísmo social. Porém, o segundo tipo de homem está extinção, homem educado – animal em extinção.
            Civilizado na contemporaneidade significa um ser humano que saiba ler, escrever, assinar seu nome, ter uma conta bancária, ter um emprego registrado ou ser trabalhador autônomo, ter uma casa própria, ser um bom pagador de contas. No entanto, ser civilizado não significa ser honesto, pois, tem tanto cidadão civilizado inteligente que rouba descaradamente o nosso país. São letrados, acadêmicos.
            O Civilizado tem como característica preponderante a arte da retórica, domínio seguro da língua mãe, sabe falar bem, sabe persuadir bem qualquer um, um bom político sofista. Entretanto, o educado é um homem bom, trabalhador, honesto em extinção. Numa leitura marxista, eu diria assim: os opressores (civilizados) x os oprimidos (educados).
            Nem sempre o cidadão é o civilizado e o educado é o cidadão, vice-versa. Boa formação equiparada a boas condições financeiras não garante status de pessoa educada, mas de cidadã sim. Isto significa dizer que pobre não tem vez? Nem sempre, porque não podemos subestimar ninguém. Todos podem, Todos conseguem, o que sobra para todos nós é a luta cotidiana contra tudo e todos. A luta consciente, ou, inconsciente, o que o pobre não sabe, no final das contas, quem ganha é ele mesmo, mesmo que a sociedade diga o contrário. Ele ganha na vida fundamentada em princípios e valores que só aparecem com luta diária, que cristalizam sua individualidade e sua identidade.
            O pobre sabe quem ele é, sabe do seu valor, sabe o valor da vida, sabe o valor do trabalho, sabe o valor do outro, sabe o que é ser honesto, sabe o que é ser fiel, sabe o que é amar, porque amar é sofrer e sofrer é uma constante. Por isso, Sou pobre.
         Condicionados sim, adestrados não.  Todos nós somos condicionados, começando pela condição econômica das nossas famílias. Se nasceu em “berço de ouro” terá vida de rei, se nasceu pobre terá vida de escravo, porém, nem sempre os que nascem em “berço de ouro”, serão reis; o fator condicionante do existir dependerá de suas escolhas, suas trajetórias educacionais, suas leituras, se esta trajetória for bem sucedida, você estará quase pronto para viver bem na sociedade, mas nem sempre é assim, depende muito do uso  do “livre-arbítrio” que Deus te deu gratuitamente. Nem sempre os pobres serão os fracassados, se eles lutarem e aproveitarem as oportunidades de crescer intelectualmente através do gosto pela leitura, com certeza, será seu trampolim para viver, pelo menos, dignamente com sua família.
            Enfim, o fator condicionante em nosso existir sempre terá. Rico ou pobre, a vida sempre imporá condições, nada mais serão do que os problemas pessoais de acordo com suas escolhas. Agora, adestrado é aquele que não aceita pensar, engole já o que está preestabelecido, padronizado, pensado. Para estas pessoas a vida é monocromática, não tem novidades, tudo é repetição. Quanta gente adestrada! Pessoas adestradas pela mídia, pela política suja, pela falsa religião, pelo trabalho escravo, pela cultura da malevolência do “jeito brasileiro” de ser.
            O povo brasileiro pacato, passivo, mal educado, apolítico. Sou brasileiro, porém minoria hoje, mas a maioria em potencial no amanhã, porque educado sou, mas apolítico não, senão não estaria escrevendo este texto. Educação caminho salutar e único para qualquer nação em desgraça política.

Prof Ms Sérgio Augusto Moreira


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

“Escravidão das Telas”

       

 Estamos imersos na “Era Digital”, cujo tempo vivemos conectados integralmente na internet, principalmente nas Redes Sociais. Esta imersão nos é apresentado sutilmente através da mídia para que compremos a ideia de “obter” novos produtos tecnológicos é bom e necessário.
        Quando que “obter” novos produtos tecnológicos é bom e necessário?
        Quem nos impõe esta ideia?
        E porque temos que “ter” as novidades tecnológicas? Tê-las é estar na moda ou ser um completo idiota? Tê-las é ser moderno, antenado, ou, é ser apenas um ventrículo consumista? Tê-las é causa de qual alegria? Passageira ou eterna? Será que o novo não é apenas uma roupagem maquiada do velho? Casca das cascas! Sombra do real! Aparência do mesmo!
       Respondendo a primeira questão, sim, é bom ter novos aparelhos tecnológicos, facilita nossa vida prática, pois, o tempo urge, o tempo é hic et nunc, aliás, sempre foi o aqui e agora, lugar, espaço e tempo as coisas acontecem. Contudo, parece que o tempo não existe mais, ele se esfacela no frigir dos dias, das horas, e dos minutos, tudo passa tão rápido, por quê?
      O esfacelamento do tempo é o nosso relógio da ampulheta, onde a areia cai mais depressa e nem percebemos o tempo passar, “Nossa, já é Natal!”, já dizia Milton Santos em sua obra “Aceleração Contemporânea”, com a Globalização e os avanços tecnológicos, internet, por exemplo, o tempo é o imediato, a comunicação é agora em qualquer parte do mundo, estreitam as relações, sobretudo, as relações interpessoais que são modificadas estruturalmente. Segundo Zygmunt Bauman, o facebook alterou o conceito de amizade, eu não preciso mais de contato físico, toques e olhares, mas apenas o que importa quantos amigos no facebook eu tenho, onde este amigo pode ou não estar online. Então, com o excesso de afazeres, trabalhos, eu me refugio nas redes sociais, com meus amigos virtuais, com isto, começa o processo de desumanização.
       Com as ideologias contemporâneas, o tempo deixa de existir, pois eu estou sempre ocupado para tudo e para todos, mas nunca mais tenho tempo livre (free time) para mim mesmo. Estou ocupado sempre, mas com o quê estou ocupado?
     Se for ver realmente, estou ocupado com futilidades administrativas, lembrando conforme Adorno já nos disse um dia, administrar, não é resolver problemas, simplesmente, administrar é tentar resolver problemas insolúveis. Você apenas administra o problema, mas não resolve. Mas que problemas são estes? Problemas sociais causados pelo próprio homem. Enfim, ficamos ocupados com o nada.
     Zygmunt Bauman escreveu sobre a “modernidade líquida” onde tudo se esvai, o real se esvai, a verdade se esvai, os fundamentos teóricos se esvaem, entretanto, o que estou afirmando aqui o contrário, no meu ponto de vista, o real não se esvai, fica algo, fica um rastro de real; a verdade não se esvai, ficam rastros de verdade; os fundamentos não se esvaem, permanecem vestígios conceituais; mas por quê?
      Como disse acima, o tempo é medido pela ampulheta, onde a “areia” segura algumas coisas, e deixa passar outras coisas. Sim, a “areia” segura, segura o que? O que permanece na memória do presente momento que passa ligeiramente como água corrente de um rio, porém, neste rio tem muita areia barrenta, esta areia barrenta é o substrato do presente com o passado, é conexão deles, ou talvez, seu entrecruzamento não pensado.
       A “modernidade líquida” está calcada neste rio limpo sem “sujeiras”, porém, nem todo rio é tão limpo assim, haja vista, a poluição que enfrentamos com as indústrias que despejam seus poluentes tanto nos ares, como nos rios e mares, contaminando a natureza e destruindo vidas aquáticas. A modernidade surge em contraposição aos pensamentos metafísicos antigos, surge a ciência moderna com os questionamentos de Francis Bacon, com sua obra “Novum Organum”, saber é poder, e com René Descartes no “Discurso sobre o Método”, onde ele descobre o fundamento da subjetividade, cogito ergo sum, penso, logo, existo. O racionalismo será a base para construção do pensamento moderno.
        Mas quando a modernidade se tornou líquida?
     Tornou-se líquida, já em sua gênese, com os avanços tecnológicos crescentes. Tudo o que foi sendo produzido pelas indústrias e tornou-se mercadoria a ser consumida por todos, numa visão simples Marxista, é óbvio para gerar lucros para as grandes indústrias, enriquecendo os patrões e dominando os operários em suas próprias condições, oferecendo a ilusão de liberdade econômica com a ideologia do capitalismo. Em tempos atuais, os produtos cada vez são descartáveis, até o próprio homem é um produto a ser vendido, consumido, por isso, Adorno afirma que a indústria cultural padroniza gostos e comportamentos a ser comercializado, o homem é coisificado.
       Torna-se líquida também, porque a filosofia descobre que a linguagem humana pode inventar novos conceitos, novas palavras, novos paradigmas científicos o qual é volúvel, muda constantemente e a cada época cada vez mais rápido.
       Diante deste panorama histórico da modernidade, “ter” aparelhos tecnológicos de última geração, é bom, todavia, não é necessário. O “Bom” aqui socialmente falando, você está inserido, mas isto não significa que você é moderno. Para adquirir estas novidades tecnológicas de última geração é necessário ter dinheiro, para ter mais acesso a variados aplicativos. Este “Bom”, dura pouco, até sair outro aparelho com mais coisas inúteis para você acessar.
      Vivemos de alegrias passageiras ou eternas? Aliás, hoje em dia, o que seria eterno hoje em dia? Amor?
       Quem nos impõe estas coisas?
       Quem não ama o ser humano, escravizando sutilmente dentro das parafernálias tecnológicas.
     Porque gostamos de viver as ilusões, ou, viver de ilusões é uma saída plausível neste mundo cruel?
       Recordo-me neste momento da “Alusão da Caverna” de Platão, estamos voltando para o fundo da caverna, com as promessas de ordem e progresso do Positivismo do século XVIII, rumo ao progresso nada, rumo à escravidão digital.
   Os prisioneiros de hoje em dia somos todos nós, marionetes nas mãos dos poderosos economicamente falando, que se matam de trabalhar cada vez mais, para “ter” o que não é necessário, é supérfluo. Foi criada uma pseudo necessidade para ter tal objeto tecnológico.
      Somos escravos das telas. Que telas? Do computador, do notebook, do tablete, da TV, do cinema, do GPS, dos celulares. Estamos conectados quase 24 horas por dia. Agora mesmo, eu estou digitando este texto na frente de um computador, quando de repente toca meu whatassp, vou verificar se é uma mensagem do serviço, mas 90% das mensagens são fúteis, é besteirol, só para relaxar seu dia que é tão estressante, aliás, isto é um distrator, para que você não perceba o quanto você está trabalhando mais.
      Veja seu cotidiano, levanta com o alarme do celular, já vê a tela do seu celular 50 mensagens dos grupos que você está inserido, 99% besteiras; vai trabalhar fica aproximadamente 6 horas na frente da tela do computador, sem contar, as vezes que você olha para seu celular (que no mínimo você olhou de 6 a 8 vezes) se comunicando ao mesmo tempo digita no seu computador, acaba sendo 8 horas na frente das telas; vai embora para casa descansar, dentro do carro, dirigindo, já vai usando o celular dinovo com torpedos e MSN, ou, Whatassp; vai para academia malhar, leva o celular, para ouvir seu som predileto e entrar no facebook (a maior fofoqueira do mundo virtual); vai para casa jantar (janta olhando para o celular); vai assistir TV (ao mesmo tempo conversando com  alguém por whatassp), ou seja, você está vendo duplamente  as telas da TV e do Celular (double idiot); vai dormir, olha para celular as últimas mensagens dos grupos.
      Ditadura das telas, saímos de uma tela e entramos em outra. Que loucura! Será que ninguém está enxergando? Claro que não, pois estamos no automático.
      Veja, quanto tempo estamos presos ao celular?
      Celular acaba sendo, ao mesmo tempo, herói e vilão, herói por ser um aparelho multicomunicador rápido e necessário, mas também, nos vicia a estar sempre conectados com tudo e com todos.
     O celular acaba sendo o ativador do presentismo, isto é, o excesso do presente. Enfim, o que importa é o imediato, nada tem mediação. Tudo é agora, valorizar o presente em excesso é bloquear o valor tanto do passado como do futuro.
       Onde fica o que foi aprendido? E a memória não é resgatada mais?
   O passado é o chão da história da humanidade, torna-se o patrimônio dos fundamentos epistemológicos humanos construídos durante a ação humana histórica em cada época.
       O que seria da educação sem os conceitos filosóficos dos pensadores gregos antigos?
      Já o futuro é aquilo que está por vir na imaginação dos homens. O futuro é a expectativa de um amanhã melhor. O futuro é o horizonte resultante da junção do passado com o presente.
     O Presente é o intermediário no tempo entre o que já foi (passado) e o que será (futuro). O presente é o agora. Em contrapartida, o presente nos sufoca. O exagero do presente nos aprisiona em nós mesmos na loucura frenética de fazer sem parar, sem saber qual finalidade de toda esta ação frenética. Qual argumento que escutamos do senso comum? “Se todo mundo está fazendo, eu também faço e faço sem questionar”.
     O excesso do presente ofusca nossa mente e ficamos presos, acorrentados na ideologia do pragmatismo de fazer as coisas sem pensar. Portanto, vivemos uma vida fugaz, baseada nas ilusões que criamos para sobreviver nesta sociedade do século XXI.
       Somos escravos das telas, mantendo nossa mente distraída para que não prestemos atenção aos movimentos de manipulação e dominação da maioria dos homens neste pobre planeta. A ditadura das telas sutilmente imposta ao nosso cotidiano está modificando até a nossa postura e mentalidade. A nossa postura já não é tão ereta assim, de tanto ficarmos olhando demasiadamente para o celular. Há uma involução humana, parece que estamos regredindo aos tempos primitivos, mesmo com esta aceleração tecnológica. A nossa mente não consegue desligar mais, por isso, aumentou mais nossa estafa mental, não dormimos bem ou não dormimos mais, devido por estar plugado direto na internet.
       Precisamos desligar, ficar off-line, se não quisermos adoecer. Criaram uma pseudo necessidade de se comunicar rápida e imediatamente, mas de fato, podemos nos comunicar dentro do nosso ritmo, ou melhor, dentro do ritmo da natureza, onde se respeita o tempo das coisas, das criaturas, da vida (Bios). E nós homens estamos respeitando o tempo da vida (Bios), ou, estamos presos mais ao tempo cronológico (Cronos)? Em que tempo nós estamos vivendo? Ontem, Hoje ou Amanhã.
        Cabe a nós, libertarmos das correntes invisíveis da ideologia da modernidade líquida que nos aprisionam somente no hoje, sendo que nós precisamos saber viver conjugados nos três tempos: passado, presente e futuro.

Prof Ms. Sérgio Augusto Moreira